Os Elfos e as Letras Rúnicas

OS ELFOS

No especial de hoje falarei um pouquinho sobre os Elfos, Os Espíritos Brancos ou Elfos de Luz, de acordo com a mitologia, seres inferiores aos deuses mas também detentores de muitos poderes.

Os Elfos eram descritos como criaturas  extraordinariamente belas, mais brilhantes do que o sol, e que trajavam vestes feitas de tecidos delicados e transparentes. Amavam a luz, eram amigos dos seres humanos e geralmente tinham a aparência de adoráveis crianças loiras. Seu país era conhecido como Altheim e era domínio de Frey, o deus do sol, sob cuja luz eles sempre folgavam.

Os elfos negros (ou da noite) eram criaturas de uma espécie diferente. Eram anões, feios, narigudos e tinham uma coloração escura que lembrava sujeira. Apareciam somente à noite, pois evitavam o sol como se fosse o mais mortal dos inimigos, cujos raios, se caíssem sobre eles, os transformariam imediatamente em pedra. Tinham como linguagem o eco da solidão e, como morada, as cavernas subterrâneas e as covas.

Supunha-se que se tivessem originado das larvas produzidas pelo cadáver em decomposição de Ymir. Mais tarde os deuses lhes teriam concedido forma humana e grande inteligência. Destacavam-se pelo conhecimento dos poderes misteriosos da natureza e pelas letras rúnicas, que esculpiam e explicavam. Eram os mais hábeis artífices entre todos os seres, e trabalhavam com metais e madeira. Entre suas produções mais notáveis, destacavam-se o martelo de Thor e o navio Skidbladnir, que ofereceram a Frey, e que era tão grande que nele caberiam todas as divindades com seus artefatos de guerra e utensílios domésticos, mas construído com tal engenhosidade, que podia ser dobrado e colocado dentro de um bolso.

AS LETRAS RÚNICAS

runasNão se pode viajar pela Dinamarca, Noruega ou Suécia sem deparar com grandes pedras de formatos diferentes, gravadas com as letras chamadas rúnicas, as quais, à primeira vista, parecem diferente de tudo que conhecemos. As letras consistem, quase invariavelmente, em linhas retas, no formato de pequenas varetas dispostas isoladamente ou juntas.

Essas varetas eram usadas em tempos primitivos pelas nações nórdicas com o propósito de prever os acontecimentos futuros. Eram misturadas e, das figuras resultantes, faziam-se as predições.

As letras rúnicas eram de vários tipos. Eram utilizadas principalmente para finalidades mágicas. As malignas, ou, como eram chamadas, as runas amargas, eram empregadas para causar danos aos inimigos, e as letras benignas, para afastar o azar. Algumas tinham finalidades medicinais, outras eram usadas para atrair o amor, e etc. Mais tarde foram frequentemente usadas em inscrições, das quais mais de mil já foram encontradas. A língua, um dialeto do gótico chamado norse, ainda é usada na Islândia. As inscrições podem ser lidas com exatidão, mas até agora poucas foram encontradas capazes de trazer um mínimo de esclarecimento de valor histórico. São, em sua maioria, epitáfios gravados em túmulos.

A ode de Gray ‘Descida de Odin’ contém uma alusão ao uso das letras rúnicas para encantamentos:

Imaginando o clima do norte,
Três vezes traçou a rima rúnica,
Três vezes pronunciou, com voz medonha,
Os versos arrepiantes que despertam os mortos
Até que, do solo cavernoso,
Ecoou lentamente um som macabro.

Fonte: O livro da Mitologia, Thomas Bulfinch
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Lendas | Claddagh Ring – Irlanda

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Não se cria lendas como os Europeus e quanto a isso eu assino embaixo! A Europa é rica demais em lendas, histórias e contos e um dos lugares que eu mais admiro nesse e em tantos outros aspectos é a Irlanda.

Hoje, trago pra você a lenda do Anel Claddagh, que eu conheci à, mais ou menos, cinco anos atrás, graças ao meu interesse pelo país.

Comprei, o anel da foto a cima, em um e-comerce especializado em jóias e acessórios medievais ou lendários, infelizmente não me lembro o nome, nem o site para poder indicar à vocês. Mas, caso interessem, basta fazer uma rápida pesquisa no google e você encontra várias lojinhas com vários modelos diferentes.
PS: Este foi meu segundo anel Claddagh, o primeiro eu comprei na mesma loja, e era lindo, mas esqueci na minha casa antiga, no dia da mudança 😦

Há algumas versões para a lenda mas todas começam e terminam no mesmo ponto. A minha favorita e, talvez, a mais romântica é esta:

Há cerca de 300 anos atrás o jovem, Richard Joyce vivia numa pequena vila de pescadores chamada Claddagh, lá ele conheceu sua amada, por quem se apaixonou desde o início, o sentimento foi recíproco e eles resolveram se casar.
Na semana do casamento, Richard foi para seu último dia de pescaria antes da cerimônia, com o resto da tripulação mas seu navio acabou caindo em uma emboscada e eles foram capturados e vendidos como escravos do outro lado do continente.
Richard e os outros pescadores, claro, não conseguiram avisar ninguém e a Vila de Claddagh ficou desolada, sem saber o que houve com os rapazes.
Os anos se passaram e não houve casamento, Richard Joyce trabalhava na fundição de jóias e com o tempo se tornou um grande artesão mas, nunca foi plenamente feliz, afinal havia deixado sua amada para trás.
Após oito anos vivendo como escravo, e conhecendo bem a ilha, resolveu que era hora de arriscar e tentar voltar para seu povo e sua noiva. Mas antes, ele pegou um pouco de prata e fez um anel para ela. No centro havia um coração, que representava seu amor, a coroa, sobre ele, era um sinal de sua lealdade e as mãos que sustentavam tudo significavam a amizade.
A fuga de Joyce foi um sucesso e ao chegar na vila ele descobriu que sua amada jamais havia perdido a esperança de reencontra-lo, os dois se casaram e o anel foi passado de geração em geração.”

Cem anos atrás, na Irlanda, durante uma escavação, foi encontrado um anel Claddagh, e no interior do mesmo haviam as iniciais R.J (as mesmas de Richard Joyce), até hoje não sabem responder se a lenda foi verdadeira ou não.

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O design do anel se tornou mundialmente popular e é muito usado – principalmente na Irlanda, claro – em pedidos de casamento. A regra é que se use com o coração voltado para fora se você estiver solteira; com ele para dentro se estiver apaixonada e com ele voltado para dentro, na mão esquerda, se seu coração já tiver sido totalmente tomado.

Gostaram? Acho essa lenda incrivelmente linda! ❤

Lendas | The Fairy Flag – Escócia

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1500 anos de história, misturados com uma pitada generosa de pó de pir-lim-pim-pim, tudo isso tecido em um pedaço de seda antigo … Nas margens de um lago, na Ilha de Skye, fica o Castelo de Dunvegan.  Herança do Clã MacLeod. Este é o mais antigo castelo ainda habitado da Grã-Bretanha. Sobre a rocha, onde existem lontras que, por vezes, podem ser vistas se  jogando em águas rasas ou sobre a praia, coberta de cascalho, mantendo o olhar atento sobre seus filhotes recém nascidos. Corajoso e imponente, o castelo foi construído para impressionar – então o que o diferencia de muitas outras fortalezas imponentes da Escócia ? – Entre , suba as escadas do corredor escuro cheio de quadros , e vá para a sala de visitas. A resposta está pendurada na parede…

 The Fairy Flag, primeiras impressões

fairy_flag_2A primeira vista a ‘bandeira das Fadas‘ parece um mapa em decomposição, a partir do qual todos os nomes e lugares foram apagados. Mas olhe de novo e você verá que ele é, realmente, um pedaço de tecido todo esfarrapado e amarelado com a idade, cuidadosamente remendado por gerações de mãos invisíveis; e você também vai ver que pequenos pedaços dele foram recortados para serem guardados como lembranças ao longo dos séculos, o que lhe rendeu um aspecto tão irregular quanto a costa no qual se encontra o castelo.

Mas, por que isso é chamado de ‘Bandeira das Fadas’ ? E de onde isso veio?

Há tantas lendas ligadas a esta pequena relíquia preciosa que é difícil saber qual escolher. Esta é, talvez, a mais mágica de todas elas…

“Iain Ciar, o quarto chefe do clã MacLeod, era famoso por sua boa aparência; muitas meninas tentaram capturar seu coração, mas nenhuma delas conseguiu. Até que um dia, enquanto caçava, ele se deparou com uma linda princesa das fadas e eles imediatamente se apaixonaram. A princesa implorou ao pai permissão para casar com o bonito lorde, mas ele recusou. As Fadas, explicou ele, eram imortais, enquanto os seres humanos deviam envelhecer e morrer. A princesa ficou de coração partido, e seu pai acabou cedendo – com a condição de que ela ficasse com o Lorde MacLeod por apenas um ano e um dia. Quando seu tempo acabasse, ela deveria retornar para casa. O casal se casou e a princesa fada deu à luz à um menino. Eles estavam profundamente apaixonados, e o temido dia da despedida acabou chegando cedo demais. Com o rei das fadas esperando no final da calçada do Castelo de Dunvegan, a princesa se despediu, tristemente, do marido mas, antes de partir, ela deu-lhe uma bandeira de seda e lhe disse que ele poderia usá-la três vezes quando os MacLeods estivessem em extrema necessidade e eles voltariam a prosperar.”

Em outra versão da história, a princesa das fadas é forçada a deixar o Lorde, mas durante uma festa no castelo ela reaparece ao lado do leito de seu filho, cantando uma bela canção de ninar e envolvendo-o em um cobertor cintilante de ouro. Quando ela é vista pela enfermeira da criança, ela desaparece, deixando para trás o pano precioso. Incrivelmente, a ‘canção de ninar das fadas’ tem sido passada e cantada em gaélico por gerações de MacLeods, dentro dos últimos 100 anos.

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Como é lindo! Então, o que a história nos diz sobre a ‘bandeira das Fadas’ ?

Em 1922, especialistas dataram o tecido sendo de algum período entre os séculos IV e VII d.C.; houve especulações de que ele pode ter sido cortado do roupão de um santo cristão, talvez. Acredita-se que a bandeira tenha chegado às mãos dos MacLeods através de Harald Hardrada, um rei nórdico do século XI que havia trazido o tecido, do oriente médio, de volta com ele. Harald acreditava que o tecido ou bandeira, como preferirem, o deixou invencível durante a guerra.
Quanto às propriedades mágicas da bandeira, aparentemente surgiram após o exercito rival, em 1580, garantir a vitória, inesperada, para dos MacLeods; também acredita-se ter curado um rebanho de gados doentes, salvando assim muitas famílias locais da fome.
Diz-se que na década de 1940 Dame Flora MacLeod, do 28º guarda, ofereceu-se para hastear a bandeira nas colinas de Dover e pôr fim à Segunda Guerra Mundial, mas o gesto acabou não sendo posto em prática. Não são permitidas fotografias da ‘Bandeira das Fadas’. Para vê-la em pessoa, você precisa ir até a Ilha de Skye…

O que acharam? Eu sempre me encanto com o mistério que ronda os séculos passados. Graças a falta da tecnologia, tudo era muito mais romântico e instigante. Se não fossem as histórias e lendas, que diversão teriam? …. ❤