De onde os Gregos tiraram seus mitos? – Parte I

afroDuas das deusas mais famosas da Grécia estrearam nos palcos míticos como adultas feitas e perfeitas – uma aparece, em geral, nua, e a outra em armadura. Afrodite – aquela da meia concha, sabe? – é a deusa do amor que, em uma das pinturas mais famosas sobre seu nascimento, emerge do mar como uma adulta completa, ao natural, mas com longos cachos em lugares estratégicos. Atena, a deusa da guerra e da sabedoria, nasce em traje de batalha completo, e emerge da cabeça de seu pai, Zeus, quando ele é atingido na cabeça por outro deus, com um machado.

As pessoas parecem pensar o mesmo sobre os mitos Gregos – que, de alguma forma, eles já nasceram prontos, na forma que os conhecemos hoje, elaborados pelo gênio de algum poeta ou filósofo anônimo. Mas os mitos da antiguidade, como provam as histórias do Egito e da Mesopotâmia, não são tão simples. Com o passar dos séculos, os mitos são criados, recitados, e depois começam a viajar. Enquanto rodam o mundo, são emprestados, remodelados e recontados – em muitos casos para se adequarem às necessidades locais. Como um vinho antigo em uma garrafa nova ou um reality show que se origina na Inglaterra e é reproduzido pelas redes de televisão norte americanas, os mitos da antiguidade as vezes ressurgiam com novos nomes e contornos. Não foi diferente na Grécia, onde as origens dos mitos – e das religiões que eles geraram – ajudam a compreender, de maneira fascinante, a história desse povo.

Descobertas recentes dos mundos da arqueologia e da literatura comprovaram que a mitologia Grega nasceu de uma mistura de histórias locais com todo tipo de fragmentos de histórias de civilizações do Oriente Próximo, como a egípcia, a mesopotâmica e a fenícia – de quem os Gregos também adotaram o sistema de escrita, que tempos depois se transformaria no alfabeto Grego. Tendo sido forçados pela geografia a se voltarem para o mar, os gregos, desde sempre, dominaram o comércio e as viagens. Conforme se aventuravam pelos portos da escala do mediterrâneo, entravam em contato com as civilizações vizinhas. No fim das contas, levaram para casa não apenas suvenires, mas também um pouco dessas culturas e religiões estrangeiras. As áreas que compreendiam Grécia, então, eram ao norte, a região montanhosa e rochosa que se projetavam nos mares mediterrâneo, Egeu e Jônico; uma península ao sul chamada de Peloponeso; as muitas ilhas salpicadas pelos mares ao redor; e a coisa oeste da Ásia Menor (atual Turquia).

Essas “influências estrangeiras” chegaram em uma Grécia que já era um caldeirão de fontes mitológicas. A partir de 2.000 a.C, ondas de invasores varreram a Grécia e trouxeram consigo as histórias de seus próprios deuses , que foram misturadas com as histórias locais. Essas invasões sangrentas começaram muito antes da breve Era de Ouro da Grécia, que muitos estudantes equiparam falsamente a toda história do país. A história grega, na verdade, se estende por um período de tempo muito maior, e sua civilização e mitologia podem ser divididos em cinco períodos diferentes.

wrAo que tudo indica, a primeira civilização a prosperar na região que passaria a ser tida como a Grécia não era formada por gregos, mas sim por minoicos, povo com cultura sofisticada e extraordinária. Fixada na ilha de Creta, no Mediterrâneo, a civilização minoica deve ter surgido em torno de 3.000 a.C. – Período próximo ao surgimento das civilizações da Mesopotâmia e do Egito – e, de forma repentina e misteriosa, desapareceu por volta de 1.400 a.C. No início do século XX, a abandonada capital da primeira civilização de Creta foi descoberta pelo arqueólogo inglês Sir Arthur Evans, em um dos achados mais surpreendentes da história. Em Cnossos (ou Cnossus), Evans encontrou vestígios de um palácio enorme, luxuoso e elegante, cujas passagens eram pavimentadas com ladrilhos. O palácio continha banheiras de cerâmica e serviço  de canalização de esgoto. Suas paredes eram decoradas com afrescos coloridíssimos, que retratavam homens e mulheres jovens, belos e nus, fazendo acrobacias com touros, em uma espécie de “rodeio” da antiguidade, numa clara referência a um culto de touros elaborado, um vestígio de suas origens na Ásia Menor. O palácio talvez tenha sido, ainda, a fonte de um dos mitos gregos mais importantes, a história do Minotauro, uma criatura metade homem, metade touro, que exigia que lhe fossem feitos sacrifícios humanos.

Apesar de a escrita Linear A, dos minoicos, ainda não ter sido decifrada, sabemos que devia ser mais usada para fazer a contabilidade e os registros comerciais – como foi, no princípio, a escrita cuneiforme da Mesopotâmia. Os minoicos foram um dos primeiros povos a realizar o comércio marítimo e suas embarcações iam até o Egito, para negociarem na terra dos faraós. É muito provável que os minoicos adorassem um deus do mar, que foi, mais tarde, chamado de Poseidon pelos gregos, e uma deusa da terra, que foi transformada pelos gregos na deusa Rea. […]

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